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O Brasil de ontem e de hoje

Gibson da Costa

Em 2013, incendiaram as ruas, em protestos contra a corrupção e o descaso. Em 2014, votaram absolutamente nos mesmos grupos contra os quais protestaram – aparentemente, esqueceram-se contra quem protestaram (quem controlava o governo federal e cada um dos governos estaduais)!
Os mesmos atores do capitalismo estatal brasileiro que apoiaram todos os golpes e ditaduras brasileiras no século XX, que participaram da eleição do “espetáculo Collor de Mello”, da criação do “milagre FHC”, do “fenômeno Lula da Silva”, do governo Dilma Rousseff, e que posteriormente a derrubaram e puseram no poder o fantoche Michel Temer atuaram ontem na Câmara dos Deputados. E alguém ainda tinha dúvida de que seria assim?
Acaso se esquecem de que o atual Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi – entre 2012 e 2016 – presidente do conselho de administração do Grupo J&F, tendo sido presidente do Banco Original (pertencente ao mesmo grupo) em 2016?... E que o mesmo fora presidente do Banco…

A série eleitoral brasileira: o atalho para a Presidência

Gibson da Costa

Art. 80. Em caso de impedimento do Presidente e do Vice-Presidente, ou vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente chamados ao exercício da Presidência o Presidente da Câmara dos Deputados, o do Senado Federal e o do Supremo Tribunal Federal. Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga. § 1º – Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei. § 2º – EM QUALQUER DOS CASOS, OS ELEITOS DEVERÃO COMPLETAR O PERÍODO DE SEUS ANTECESSORES.(grifo nosso) BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso: 27 maio 2017.

Atualmente, tenho sentimentos dúbios quanto à escolha dum(a) substituto(a) ao Presidente da República, em caso de impedimento, conde…

República dos Criminosos Denunciadores: Notas pessoais nº 2

Gibson da Costa
Aguentará o sistema político brasileiro outro processo de impedimento (impeachment) de Presidente no espaço de um ano? Provavelmente, não! Outro processo de impedimento, como afirmei sobre aquele que derrubou a ex-Presidente Dilma Rousseff, provavelmente terá efeitos devastadores não apenas para o sistema político brasileiro, mas também para a recuperação da economia. Processos desse tipo são sempre negativos para a vida institucional de qualquer Estado Democrático de Direito – e pior ainda para uma democracia tão jovem que ainda não conseguiu se assentar sobre os pilares da “res publica”.
Contudo, os cidadãos brasileiros – dentro ou fora do país – devem pensar seriamente no Estado que querem para o futuro. E devem agir para que esse Estado não continue a ser sequestrado pela imoralidade de grupos que se apropriam da “res publica” (a coisa pública) para proveitos próprios.
Chega de supostos heróis. Chega de supostos salvadores da pátria. Chega de supostos baluartes da…

República dos Criminosos Denunciadores: Notas pessoais nº 1

Gibson da Costa
Porque chamei Michel Temer de “golpista”, alguns supuseram que eu quisesse dizer que Dilma Rousseff fosse “inocente”. Não, nunca escrevi ou disse isso.
Políticos não são inocentes. Sua “culpabilidade” é intrínseca ao seu trabalho. Eles ou elas sempre serão culpados por suas escolhas. Sempre!
Quando critico o processo de impedimento contra Dilma Rousseff me refiro às motivações e ao modus operandi, e não a uma suposta inocência da ex-Presidente. Minha crítica não é ao formato explícito do processo, mas, antes, ao que estava por trás dele – especialmente ao “golpe” dado pelo então Vice-Presidente (“golpe”, a propósito, é o único termo disponível no arcabouço teórico para o que ocorreu, independentemente de sua justiça ou injustiça).
Contudo, mesmo que a ex-Presidente não tenha cometido muitas das coisas que lhes foram atribuídas, ela ainda era culpada por suas escolhas – e, principalmente, por suas companhias.
Essa culpa intrínseca por escolhas e companhias, contudo, nã…

Economia de mercado e reforma trabalhista, notas soltas dum liberal impaciente

Gibson da Costa
Sempre compreendi que uma “economia livre” – isto é, aquela abstração ideológica que se refere a um sistema econômico no qual os consumidores podem escolher livremente de quem obter produtos e serviços, e no qual os produtores/provedores podem concorrer pela venda de seus produtos/serviços – seja a mais eficiente maneira de oferecer as melhores oportunidades e mais liberdade democrática aos cidadãos. Ainda estou convencido disso.
Entretanto, devo deixar claro que não compreendo a noção de “economia livre” como sinônimo necessário de “economia de mercado”. Essa segunda expressão me parece muito mais conectada à abstração de “mercado” como uma força a-histórica que regeria as relações sociais – e essa ideia me soa muita mais a um discurso ideológico dogmático do que a um retrato da realidade. Mais do que acreditar no “mercado” e defendê-lo, acredito no ser humano e defendo a sua liberdade e os seus interesses – e o “mercado” mais do que frequentemente não representa os …

As teorias conspiratórias e a política

Gibson da Costa
Em 1826, um ex-maçom, chamado William Morgan, desapareceu no Estado de Nova York. Como, anteriormente, Morgan havia publicado um livro no qual revelava supostos segredos maçônicos, um grupo político nova-iorquino divulgou – sem nenhuma evidência – que ele havia sido assassinado pelos maçons. A histeria popular contra a Maçonaria se espalhou como fogo em palha seca por todos os Estados Unidos daquela época, especialmente em Nova York e em Estados vizinhos.
Muitas organizações antimaçônicas começaram a surgir nos Estados do nordeste americano para fazer oposição aos candidatos a cargos eletivos que eram, de conhecimento público, maçons. Foi assim que surgiu o primeiro movimento de extrema direita americano: o Partido Antimaçônico, fundado na cidade de Nova York em 1828. O conspiracionismo ganhava, ali, status institucional!
Para o Partido Antimaçônico, os maçons eram a grande ameaça. Para os membros do partido, os maçons representavam um inimigo poderoso, que havia toma…

Os nazistas eram socialistas?: uma brevíssima resposta

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Uma imagem apresentada como "evidência" da acusação


Gibson da Costa
O contexto dessa atual “discussão” (ou seria acusação?!) nas redes sociais é o conflito por legitimação política de grupos que se identificam como “direita” no Brasil. Se vocês prestarem muita atenção aos textos que são divulgados online sobre o assunto – e estou pensando em sites como os do Instituto Mises e do Ilisp –, e analisarem quem os escreveram, onde, quando e suas razões, verão que suas conclusões atendem aos seus próprios interesses partidários.
Mas, permitam-me fazer algumas observações:
Apesar de o nome do partido nazista ter sido “Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães”, dizer que o mesmo era um partido “socialista” simplesmente por causa do nome é como dizer que “Little Brazil”, em Manhattan, seja uma parte da República Federativa do Brasil simplesmente por causa de como é chamado!
O nome do partido foi uma estratégia política para lidar com as oposições socialista e comunista, a…