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"No princípio era o conflito..."

segunda-feira, 9 de março de 2015

E os instruídos inimigos do inconformismo repreendem o panelaço dos manifestantes com adjetivações chavistas: o drama pós-eleitoral brasileiro continua...


Até agora penso ser uma idiotice que se queira o impeachment de Sua Excelência a Eterna Candidata a Presidente da Terra do “A Culpa é Deles” – também conhecida como Presidente Dilma Rousseff. É uma idiotice porque, até agora, não se apresentaram razões legais para isso, apesar das inúmeras razões morais para tanto – mas se vamos utilizar razões morais para exigir o impeachment de governantes, possivelmente não permanecerá um só em todo o Brasil.

Entretanto, independentemente do que penso sobre a abertura dum processo de impeachment, é minha convicção que numa democracia o direito à demonstração legal e pacífica de discordância é sacrossanta, já que a mesma está enraizada no espírito e na letra de nossa Constituição Federal.

É ridículo ouvir e ler comentários acerca dos manifestantes contrários ao governo, e seu panelaço de ontem, como se os mesmos fossem “a elite golpista e intolerante”. Eles não são uma elite golpista – adjetivo vago, esclareça-se, tão utilizado pelo chavismo venezuelano e seus clones do resto do continente para classificar toda voz discordante que se erga contra eles (e já plenamente absorvido pelos ainda detentores do poder do dia no Brasil, tão temerosos de perder “a coroa e o cetro”). Eles – os manifestantes tímidos de alguns dos bairros menos “populares” brasileiros – são cidadãos da República e, como tal, têm o pleno direito a manifestar sua inconformidade com o que queiram.

A noção de democracia desses politiqueiros (i.e., os políticos governistas, mas também da "oposição") e, aparentemente, também dos autores dos discursos da citada Presidente, entretanto, exclui da cidadania as vozes discordantes. Os que discordam, aqueles que se demonstram inconformes, são vilanizados como inimigos da democracia, logo, do povo, do Estado e da cidadania... Ora, senhoras e senhores, será que já não conhecemos este discurso de vilanização da oposição? Não foi assim que ditaduras se estabeleceram e se sustentaram no poder ao redor do mundo (fossem elas de direita, de centro, de esquerda, de baixo, de cima)? Não foi assim que tão facilmente dividiram nações e construíram inimizades artificiais para justamente enfraquecer a democracia e manter-se no poder sobre os alicerces do medo?

É interessante como vilanizam cidadãos que batam em suas panelas, classificando-os de “elite golpista e intolerante”, mas que outros também cidadãos que violam as leis, destroem, atacam propriedades públicas e privadas, em nome dum suposto protesto, sejam classificados como “democratas”. Isso só demonstra o quanto ainda temos de aprender o sentido de viver numa sociedade plural!

+Gibson