segunda-feira, 20 de julho de 2015

A violência escolar e a nostalgia anacrônica e a-histórica!!!


Alguém ousou escrever-me, fazendo apologia a uma “intervenção militar”. Em meio à sua mensagem havia esta imagem, exibindo sua “comparação” anacrônica da realidade nas escolas brasileiras… A submissão ordeira versus a afronta desordeira…



O que haveria de errado na imagem, afinal de contas?

O “artista” das redes que colou imagens não identificadas para construir seu bem-intencionado protesto foi acometido duma nostalgia anacrônica e a-histórica, como muitos de nós frequentemente somos durante períodos de incerteza; e, assim, tolamente, ele sugere que a vida de professores e alunos fosse mais feliz, mais fácil, mais produtiva, mais patriótica.

O protesto do mentecapto artista torna-se, assim, uma projeção bovarista duma realidade construída pela ansiedade e temor diante da realidade com a qual se depara – ou aquela selecionada para exibição nos telejornais.

Supondo que as partes plácidas da montagem imagética representem salas de aula brasileiras, a que considerações poderíamos chegar?…

O que nosso “artista” de “photoshop” provavelmente não sabe é que até meados da década de 1960 a maioria das escolas brasileiras encontravam-se em áreas urbanas de grandes centros. Os estudantes dessas escolas provinham daquilo que costumam chamar de classes média e média-alta. A partir dessa época – que corresponde ao “período dos generais” –, começa a “massificação” (alguns chamam de “democratização”) da escola pública, ao mesmo tempo em que há aquele processo de urbanização desordenada do país. As escolas começam a receber estudantes advindos de estratos mais pobres da sociedade, e isso, em parte, causa o desprestígio da profissão docente – minha profissão – em meio às classes médias.

Assim, esse mito da escola “paraíso” reside no fato de que antes ela era uma escola para poucos. Desde aquela época, chegando até nossos dias, o acesso à escola tem se ampliado. E os problemas associados a isso, obviamente, se tornam mais óbvios. Na verdade, é bom enfatizar que problemas comportamentais de alunos sempre existiram. Mas, talvez, nosso “artista” nunca tenha lido “O Ateneu”, de Raul Pompeia. Se na década de 1970 não se viam fotos como aquelas nas escolas era porque, dentre tantas outras coisas – inclusive o fato de o país viver uma ditadura –, não se ter acesso a equipamentos de transmissão de imagens instantâneas como temos em nossos dias (caso contrário, quem sabe o que câmeras de celulares teriam captado?).

Ademais, não foi o PT quem criou esse comportamento nos estudantes. Mesmo que o comportamento fosse “criado” por quem administra a educação, os petistas não têm todos os Governos estaduais, todas as Secretarias de Educação estaduais e municipais, e nem todos os “gestores” de escolas são petistas. Logo, acusar o PT por isso é, no mínimo, ridículo (novamente, supondo que se pudesse culpar o governo pelo comportamento dos estudantes).

Agora, quanto à ladainha do pró-intervenção militar, nem vale a pena me dar ao trabalho de responder. Talvez devesse apenas lembrá-lo dum pequeno fato histórico:

A única vez na qual militares brasileiros intervieram na vida política do país para realmente respeitar a democracia e fazer valer as leis foi em 11 de novembro de 1955, quando evitaram um golpe de Estado que queria impedir a posse de Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.* Todas as outras intervenções foram golpes que não respeitaram nem a democracia, nem a lei, nem o “povo”!

Então, faça um favor à sua imagem, e deixe de propagar besteiras por aí!

Gibson

* Você pode ler mais sobre isso em: CARLONI, Karla. Forças armadas e democracia no Brasil: o 11 de Novembro de 1955. Rio de Janeiro: Garamond, 2012.

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