quinta-feira, 23 de julho de 2015

Ah, essa vanguarda revolucionária!


Ah, os revolucionários! Os orgulhosos e altivos senhores da verdade salvífica. A vanguarda que se eleva sobre os ignorantes iletrados políticos. Os anunciadores de boas novas trazidas à força da bala, do capital ou do prestígio socioinstitucional. Os únicos representantes de reais valores “democráticos” – isto é, da democracia eleitoral que confirma os resultados de suas próprias mensagens e escolhas. Ah, esses revolucionários!

Eles adornam-se com as mais variadas máscaras: umas mais docemente palatáveis que outras. Dividem sociedades para conquistá-las com o temor. Saqueiam a dignidade dos menos privilegiados, subestimando sua inteligência. E depois deleitam-se à mesa com banquetes exclusivos em palácios do poder. Ah, os revolucionários!

Ah, a vanguarda cega e auto-enganadora, revolucionária apenas no que concerne à conquista do poder! Exaltados por espíritos bajuladores nos palcos, nas telas e na imprensa, enquanto dirigem seus discípulos à escuridão da incoerência. Vanguarda multipartidária, mas monoliticamente estúpida! Vanguarda que ensina em escolas e universidades, que escreve para publicações e apresenta telejornais, que se candidata aos poderes republicanos, que defende candidatos e que escreve para o mundo cibernético. Ah, a vanguarda!

A vanguarda, como os antigos profetas, sempre nos levará à Terra Prometida – como o tem feito até hoje. Abramos mão, então, do que resta de nossa liberdade e a entreguemos aos cavaleiros do futuro. Só eles – e suas mais variadas cartilhas políticas, em todas as coordenadas geográficas (direita, centro, esquerda, e todos os extremos) – sabem onde devemos chegar e o que devemos fazer para alcançar esse destino.

Entreguemos nossa liberdade aos estudantes incendiários ou aos militaristas impiedosos. Entreguemos nossa liberdade aos duques dos Palácios ou aos barões das Câmaras. Entreguemos nossa liberdade aos sapientes das universidades ou aos pensadores midiáticos. Entreguemos nossa liberdade aos sindicatos ou aos movimentos sociais. Eles nos guiarão à Terra da Promissão!

Ah, essa vanguarda revolucionária!

O Brasil de ontem e de hoje

Gibson da Costa Em 2013, incendiaram as ruas, em protestos contra a corrupção e o descaso. Em 2014, votaram absolut...