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"No princípio era o conflito..."

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Mais um capítulo da "everlasting story" eleitoral brasileira

Como já escrevi algumas vezes, não votei e não teria votado em Dilma Rousseff ou em outro(a) candidato(a) do PT à Presidência. A razão foi/é ideológica. Ademais, no caso da reeleição de Rousseff, foi também ética. A Presidente - como seu antecessor -, contra cuja persona não tinha absolutamente nada em se tratando de seu presente, estava cercada de personagens contra os quais tinha e tenho reservas.

Durante as campanhas, era óbvio que ela mentia aos seus eleitores. Só não enxergavam os acólitos partidários fanáticos. Sua retórica propagandística era uma violência contra a inteligência média dos cidadãos brasileiros. E se era verdade que todos os outros engajavam-se na mesma violência, ela já era a Presidente da República e, como tal, esperava-se que pudesse comportar-se de forma mais respeitosa para com seus eleitores e os cidadãos em geral.

Seu comportamento nas campanhas - assim como a de todos os outros governantes que busca(ra)m a reeleição no passado ou no presente - só reforçou minha convicção de que melhor seria que ou não houvesse reeleição ou que, se houvesse, o candidato primeiro abrisse mão de seu cargo antes de se embrenhar numa nova candidatura. Pense nas vantagens que um Presidente, um Governador ou um Prefeito que busque se reeleger ainda no cargo já tem quando comparado a outros candidatos! Pense no inevitável conflito de interesses!

Seja como for, não desejava que ela se reelegesse, mas como o conseguiu, para mim era o fim daquela história. Honestamente, esperava, e ainda espero, que ela pudesse acertar mais em seu segundo mandato, sendo bem sucedida, já que seu sucesso seria o sucesso dos cidadãos brasileiros.

Mas como você já sabe, aquela história eleitoral ainda não acabou. E não acabou porque seus adversários, que provavelmente não compreendem o sentido do termo “oposição”, não aceitaram sua derrota eleitoral. Não acabou porque seu padrinho político, o ex-Presidente Lula da Silva, sabota seu mandato, já interessado em seu futuro retorno ao poder. E também não acabou porque ela mesma, a própria Dilma Rousseff, não conseguiu deixar de ser apenas uma eterna candidata à Presidência da República.

Ora, não sei o que ocorrerá mais adiante com seu mandato. Sei que um processo de impedimento não será nem um pouco bom para o país - e é isso o que me preocupa. Não estou preocupado com o destino político de Rousseff ou de seu partido (que, há muito, deixou de ser modelo ético para quem quer que seja - se realmente já o foi). Eles pouco me interessam. Mas me interessa a tragédia política trazida com um impedimento para a vida da República. Continuo a acreditar que essa deva ser a última opção.

Olhe só as opções, se ela e, em última instância, seu vice fossem derrubados!... Consegue imaginar?!

O mais trágico nesse melodrama sem fim é o fato de sermos, todos nós, cúmplices e/ou cativos de grupinhos políticos interessados apenas no poder. Sejam grupos do PT, em seu jogo inescrupuloso para permanecer no Planalto. Sejam grupos do PMDB, a piada fisiológica da República, que abandonou seu passado “democrático”. Sejam grupos do PSDB em sua prostituição política incoerente na tentativa de retornar ao Planalto.

Todos aqueles grupos riem de nós cidadãos. Riem da estupidez de seus acólitos que se degladiam em nome daqueles, sem perceber que são apenas fantoches. Riem dos que trabalham para pagar seus gastos e corrupção. Riem de nós porque, nas próximas eleições, os idiotas neles votarão e os “defenderão” como se fossem salvadores - quando, na verdade, são os “diabos” da democracia.

Quem nos salvará dos Cunhas, Neves, Rousseffs, Silvas e seus apóstolos?

+Gibson