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"No princípio era o conflito..."

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O espetáculo do terror e o assassínio de nossa humanidade 2


Gibson da Costa

Pagamos um preço pela nossa suposta liberdade de circulação de notícias e comunicação em geral, que é o de nos tornarmos cúmplices, mesmo que involuntariamente, do que já foi classificado como "ataque terrorista" (obviamente, não espero que os plantonistas da TV entendam que, apesar de não haver unanimidade sobre a definição de "terrorismo", há pelo menos alguns prerrequisitos para que se classifique um atentado como tal).
Se ainda é verdade que o principal interesse de qualquer atentado seja mais a atenção do que o número de mortos, todos nós, direta ou indiretamente, contribuímos com os objetivos dos grupos classificados como terroristas. Toda a imprensa daqui só tem coberto a tragédia na França - seja nas rádios, seja na TV -, e, muitas vezes, de forma sensacionalista. E não era exatamente isso que os "assassinos" queriam? (Prefiro deixar a identificação de "terroristas" para quando tiver maiores informações sobre os autores dos ataques.)

Quando nossa cobertura da tragédia nos encapsula no medo e no temor. Quando ela nos faz olhar para nossos vizinhos e já apontá-los previamente como os "culpados" - sim, me refiro à islamofobia reforçada esta noite nas redes sociais, nos pronunciamentos de certas figuras públicas e, provavelmente, nas discussões privadas mundo a fora. Quando as autoridades já ameaçam retaliações a inimigos não-identificados por meio do ataque às liberdades civis dos cidadãos comuns... Quando tudo isso ocorre... os "terroristas", sejam lá quem forem, já venceram!... E venceram porque essa é a "essência" de ataques terroristas: enfraquecer e destruir o "inimigo" pelo medo.
Então, agora, mais do que nunca, o que escrevi em 9 de janeiro último é ainda mais verdade para mim.