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"No princípio era o conflito..."

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Brevíssimas notas sobre a novela do “golpe”: parte 1 – Dilma Rousseff, o ParTido e Lula da Silva

Gibson da Costa



1) O “golpe” do maniqueísmo partidarista

O uso indiscriminado de conceitos do tipo “Bombril”® – aqueles que têm “mil e uma utilidades”, e que servem aos interesses de todos e de ninguém – são utilíssimos em momentos como este pelo qual passa a vida política do Brasil. “Golpe” é um desses conceitos. Ele pode ser facilmente manipulado para projetar um impacto sobre parcelas do eleitorado, maquiando as intenções de quem o utiliza. Assim, qualquer ação tomada contra um membro do “ParTido”, há muito, é declarada como “golpe” – foi assim com os investigados e condenados pelo chamado “mensalão” (um deles chegou a se declarar como “preso político”), é assim no caso da investigação do Czar Todo Poderoso PeTista (sim, refiro-me a Lula da Silva – o ministro que ainda não é), e é assim na tentativa de abertura do processo de impedimento da Presidente Dilma Rousseff.

Não tenho tempo (ou desejo) para recapitular com o leitor, agora, as diferentes definições de “golpe” utilizado na História ou na Ciência Política, mas posso sugerir duas fontes confiáveis e de fácil acesso, para um esclarecimento do termo “golpe de estado”: [1] “Dicionário de conceitos históricos”, à página 173; e [2] “Dicionário do pensamento social do século XX”, à página 341 (referências abaixo).

Ambos enfatizam a violação à Constituição como base para um “golpe”. Assim, no atual contexto brasileiro, há razões para uma preocupação, mas essa deve ser refletida.

Obviamente, num sentido muito restrito, há um “golpe”. A partir do momento em que as bases de apoio da Presidente e seu próprio Vice viram-se contra ela, a mesma está sendo “golpeada” por aqueles que eram parte de seu círculo. O papel “golpista”, nesse sentido restrito, do Vice-Presidente Michel Temer é muito óbvio. Entretanto, esse “golpe”, no sentido de “traição política”, ainda não se constitui como um “golpe de Estado” já que nada que seja anticonstitucional ainda foi feito – ao menos, de acordo com o Judiciário.

O slogan “NÃO VAI TER GOLPE” é só isso, um slogan. É uma peça artística de marqueteiros políticos. O mesmo é utilizado para movimentar as massas que se recusam a criticar (no sentido kantiano do termo) a situação e cobrar de seus governantes e representantes eticidade no manejo das instituições públicas. Ele não foi massivamente lançado sequer para referir-se à Presidente Dilma Rousseff, mas sim para aliciar a opinião pública a adentrar num devaneio de que Lula da Silva fosse vítima dum “golpe” (claro... porque o Czar Supremo não pode ser investigado, criticado ou aborrecido). Na verdade, o slogan é, em si, a tentativa de construção dum outro golpe contra Dilma Rousseff, o golpe do Czar contra a Dama de Ferro!

Retomo isso abaixo...


2) Lula, o Czar dos “Maria vai com as outras”

O Czar PeTista compete contra o Czar Getúlio Vargas pelo título de maior causador de imbecilidade coletiva na História do Brasil. É deprimente ver seus lacaios – mesmo os mais letrados – servirem como defensores dum indivíduo que contradiz muito do que, historicamente, seu partido declarou defender. É por essa razão que os “imbecis” (no sentido da raiz latina) saem às ruas para “defendê-lo”, quando o mesmo é investigado por supostos crimes. Lula da Silva – e não a justiça, a ética etc – passa a ser a bandeira. Ou seja, Lula é o PT, e o PT é Lula; e por isso, Lula é o “povo”, e o “povo” deveria também ser “Lula”... Isso lhe parece familiar? Consegue lembrar-se onde isso ocorreu e ocorre hoje?

Sim, Lula da Silva é o Czar Soberano do Brasil. Ao seu lado e ao seu serviço, ele tem poderosos e barulhentos setores da sociedade brasileira. Suas alianças pouco éticas são incapazes de manchar sua imagem para seus bajuladores letrados e iletrados. Seu “golpe” contra a Presidente é incapaz de ser percebido ou protestado pelos eleitores e membros do ParTido.

Para ele, mais do que para qualquer outro, é interessante que a Presidente da República seja derrubada. Ele já desfilava como seu adversário em eventos públicos desde o último ano. Assim, vendia sua imagem como inimigo das políticas econômicas da Presidente Rousseff, tentando desvincular sua imagem da dela, preparando-se para disputar as próximas eleições presidenciais.

O patético é que a Presidente tenha caído na armadilha do Czar, tolamente imaginando que se sairia melhor com ele. Pensou que trazer um de seus maiores adversários políticos para junto de si, por meio dum também “golpe” (desta feita contra a Justiça), seria benéfico, e acabou se revelando uma péssima estrategista! O que fez foi só alimentar o “golpe” de seus outros oponentes!

…Mais notas sobre a novela amanhã!



REFERÊNCIAS
[1] SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2009.

[2] OUTHWAITE, William; BOTTOMORE, Tom (Ed.). Dicionário do pensamento social do século XX. Tradução de Eduardo Francisco Alves, Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996.