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"No princípio era o conflito..."

sexta-feira, 22 de julho de 2016

"Direita" ou "Esquerda"?


Gibson da Costa

Sempre acho interessante as formas de xingamento político que alguns utilizam comigo. Ao longo de minha vida profissional – seja como sacerdote ou como professor – já utilizaram os adjetivos, para mim, mais inexatos e insignificantes para me classificarem pejorativamente:

A) esquerdista, marxista, petista, “lulista” ou “dilmista” – os termos usados por alguns brasileiros que se identificam como “direita” (duas vezes enviei livros de presente para ajudar essas pessoas a se informarem um pouco mais sobre teoria política – desisti quando percebi que iria à falência se tivesse de fazer isso sempre, e quando me dei conta de que a ignorância de alguns é uma questão de escolha própria!);

B) direitista, homofóbico, machista, golpista – termos utilizados por alguns que se identificam como “esquerda”, no Brasil, e que, honestamente, nunca levo a sério, já que (ao menos os três últimos adjetivos) não parecem se personificar em nada que eu me lembre de haver escrito ou dito até hoje!

A inexatidão e insignificância às quais me referi inicialmente estão explícitas nos termos “esquerdista” e “direitista”... Diz o mito que, politicamente, são antônimos – ou seja, que seus sentidos são opostos. Mas o engraçado é que, tão frequentemente, conseguem me classificar como representante de ambas as (supostamente existentes) [contra]posições.

O que querem dizer, afinal de contas, quando usam o termo “esquerdista”? Aparentemente, no jargão dos xingamentos partidários brasileiros, ele seria sinônimo de “marxista”, “lulista”, “dilmista” e “petista”, mas eu não sou adepto das filosofias políticas marxistas; não sou membro, ativista, simpatizante ou eleitor do Partido dos Trabalhadores; e nunca fui eleitor ou simpatizante do ex-Presidente Lula da Silva ou da, sim, Presidente Dilma Rousseff. Talvez, pode ser que utilizem o termo para fazer uma referência aos ideários comunista ou socialista. Mas, ainda assim, haveria um problema: não sou, nem nunca fui, seguidor de nenhum daqueles conjuntos de ideias!... Então, por gentileza, me expliquem o querem dizer quando me atribuem o qualificativo de “esquerdista” (especialmente quando o fazem de forma pejorativa)!

E o que querem dizer aqueles que me classificam como “direitista”? O termo, no jargão utilizado por alguns daqueles que se identificam como partidários da “esquerda”, parece ser sinônimo de “homofóbico”, “machista”, “golpista”, “militarista”, de alguém a favor das armas e da pena de morte, e de alguém que defenda as passadas ditaduras brasileiras. Onde, quando e como eu defendi ou expus qualquer dessas ideias?... Elas são, exatamente, algumas das coisas contra as quais tenho me expressado publicamente há anos, por contradizerem toda a minha compreensão teológica-filosófica-política.

A dicotomia direita-esquerda, se ainda válida, é relativa. E é justamente por isso que alguém que se julgue à “esquerda” pode designar outro como estando à “direita”, ao mesmo tempo em que um terceiro, que esteja à direita, julgaria aquele mesmo indivíduo como representante da “esquerda”. Tudo depende de onde você se encontra num espectro político contínuo!... De qualquer forma, rejeito essa dicotomia simplesmente por não compreender o “espectro” político como sendo um “contínuo”... Assim, por gentileza, quando me atacarem, sejam mais criativos; ou, se utilizarem o espectro contínuo, leiam mais, se informem mais antes de se auto-ridicularizarem publicamente!

Minha crença e defesa da liberdade é muito mais radical do que aquelas frequentemente expostas por meus colegas da “direita” ou da “esquerda”. Acredito na sacralidade da liberdade de opinião e de exposição dessa opinião, mesmo que isso signifique que as crenças que abomino serão divulgadas – assim, não me encaixaria nem na “direita” nem na “esquerda” brasileiras. Acredito na democracia, independentemente de seus resultados – nem a “direita” nem a “esquerda” brasileiras estão dispostas a essa radicalidade democrática. Absolutamente tudo, para mim, pode e deve ser criticamente questionado – honestamente, não vejo essa disposição nos dogmatismos classificados como “direita” ou “esquerda”.

Assim, se querem saber onde me encaixo, eis minha resposta: quando escrevo e como, sou um direitista – afinal, sou um destro, é com a mão direita que seguro um garfo ou uma caneta; quando busco clareza no meu raciocínio ou quando tento lembrar da sequência de certos acontecimentos, sou um esquerdista – já que, afinal, é com o lado esquerdo do cérebro que exercemos essas atividades. Assim, como se vê, os adjetivos dependem da perspectiva!