quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O olhar condicionado


Ninguém – absolutamente ninguém – consegue enxergar todas as dimensões da realidade social – ou da realidade como um todo (e da Realidade, se é que me entende!). O que vemos são apenas fragmentos de fragmentos. Apropriando-me da antiga concepção platônica – embebendo-a, talvez, na releitura que Horkheimer fez de Kant –, poderíamos afirmar que todos os olhares estão conceitualmente impregnados. Quando olhamos, já o fazemos a partir de certas noções, a partir de certos “lugares. Olhamos para o mundo ao nosso redor, para as pessoas e coisas, e vemos, por exemplo, a dimensão física a partir de conceitos prévios sobre espaço, cor, tamanho, peso etc; não podemos ver “o que é em si”, mas apenas representações daquelas imagens que previamente construímos. Essa limitação é parte de ser humano. Quando pensamos que sobrepujamos todos os obstáculos à percepção do real, percebemos que nossa visão ainda está condicionada – porque ela “é” condicionada per se. O que resta é apenas fazer um esforço para ver as coisas e pessoas a partir duma outra perspectiva e, assim, enxergar aqueles detalhes que não vemos de nossa posição original.

+Gibson

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