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"No princípio era o conflito..."

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Donald Trump: legítimo ou ilegítimo?


Gibson da Costa

Se você pensou que meu último texto aqui sugeria que Donald Trump fosse um Presidente ilegítimo por ter recebido menos votos populares que sua oponente, Hillary Clinton, não poderia estar mais equivocado! Não me referi à sua legitimidade eleitoral em momento algum. Não me referi às tecnicalidades do sistema. Referi-me, apenas, ao equívoco de se pensar que ele representasse os anseios do “todo” do eleitorado americano – ou, posto de outra forma, questionei sua legitimidade popular.

Mas “legítimo”, enquanto candidato eleito pelo Colégio Eleitoral, ele é! Sua vitória através desse sistema é, até agora, inegável.

Trump, na verdade, tornou-se parte duma recente tradição americana. A tradição dos Presidentes eleitos que tiveram sua legitimidade – ou, como se dizia até a década de 1990, seu “mandato” – questionada por parte dos políticos e do eleitorado. Começou com Bill Clinton, seguiu com George W. Bush, passou a Barack Obama, e agora se repete com o Presidente Twitteiro. Essa tradição de questionamento, a propósito, é muito positiva em uma democracia liberal – por mais que os partidários de algum político eleito não se alegrem muito com as críticas recebidas.

Assim, a questão não é a legitimidade eleitoral de Trump, mas, antes, a ilegitimidade moral de seu discurso. A eticidade de suas palavras – enquanto Presidente de seu Estado-nação (ou, enquanto Imperador do “Colosso”) – terá um grande peso na imagem que construirá de si e do Império Americano a partir de agora.

Se tornará Trump um Presidente legítimo para os cidadãos americanos? Ou continuará a twittar sua odiosa calhordice sem consideração pela posição que a partir de agora ocupará? De hoje em diante, é esperar e ver!