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"No princípio era o conflito..."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O pesadelo político sem fim





Gibson da Costa

O que pensar quando o Presidente da maior potência bélica do planeta – potência que se autoproclama como baluarte da liberdade e da democracia liberal – dispara comentários repreensivelmente inverídicos e irresponsáveis sobre grupos sociais de seu próprio país e sobre outros países? O que dizer quando o Presidente da maior potência do – como é que dizem mesmo?! – “mundo livre” ataca abertamente a imprensa e os meios midiáticos, jogando a população que agora governa contra inimigos imaginários?

Alguém em sã consciência imaginaria que os E.U.A., após ter recentemente vivido a experiência com um presidente como George W. Bush, teria um presidente como Donald Trump? (O presidente narcisista e estúpido que maneja o governo como quem dirige um reality show?)

Mas, e o que dizer do Vice-Presidente brasileiro que orquestra a derrubada de sua Presidente – com o apoio de seu adversário nas eleições presidenciais –, e, em nome duma suposta busca de retidão governamental, toma seu lugar, ao mesmo tempo em que é citado numa investigação criminal (Lava Jato) e aguarda uma decisão do STE sobre sua original candidatura a Vice?

O que dizer do agora “Presidente” Michel Temer que – após ter feito campanha ao lado da então Presidente Dilma Rousseff, prometendo o que ela prometia (que era o programa dos dois) e após ter sido eleito juntamente com ela com base naquelas promessas – ilegitimamente trai a confiança de “seus” eleitores, fazendo aquilo que, em campanha, prometeu que não faria?

O Brasil – o “imperialista” do sul, como o chama uma amiga argentina – ainda não tem um palhaço de reality show como Presidente (apesar de o “grande mentecapto” fluminense do Congresso estar se preparando para as eleições de 2018), mas já possui, novamente em sua história, uma elite “golpista” requintada e instruída no comando. O Vice golpista, rodeado duma “classe” tão desvirtuosa como si mesmo, encena o teatro da moralidade enganadora: seu roteiro mergulhado em vocábulos “aurelianos” e em táticas “principescas”!

À luz desse pesadelo – ou seria “na escuridão desse pesadelo”?! –, pergunto-me se alguém aqui já ouviu falar em ética, em moralidade, em civilidade, em diplomacia, em dignidade, em honestidade, em fazer o “certo” porque é o “certo”? Os imorais que nos governam – nos impérios do Norte e do Sul –, e que riem de cada um de nós em seus jantares pagos pelo trabalho do “povo”, fazem o possível para que esse mesmo “povo” desconheça o sentido daqueles conceitos e, assim, eles mesmos – os imorais que governam – se tornam o padrão da retidão. O problema é que sua retidão, que estapeia a face da “Justiça” e da Lei, nos atiram à sarjeta da vergonha, nos encaminhando de vez à destruição moral!